Escuridão no Amanhecer.
Na
história, Beatrice Bastos e Gabriel Duncan sabem que o dia está próximo. Mesmo
que desejem eles jamais conseguirão mudar seus destinos. Durante todas as suas
vidas passadas, eles encontraram-se, reconheceram-se, apaixonaram-se e foram
separados pela morte. Nesta vida, Beatrice está decidida a romper com este
ciclo, mas Gabriel acha que isso não é possível.
Juntos, novamente, após anos de procura, os dois recebem a visita do Anjo Mensageiro, aquele que sempre anuncia quando a hora da separação está próxima. Há um motivo para que eles não permaneçam juntos. Um segredo guardado há 151 anos que Beatrice precisa desvendar para impedir que o Anjo leve Gabriel, pois ele sempre parte primeiro, deixando ela sozinha.
Mas o que Beatrice não imagina é que o segredo é conhecido por pessoas que os acompanham há muitas vidas.
"...Já fazia duas semanas que eu estudava na Academia. Como aluna nova ainda estava me habituando ao ritmo das aulas. Minha rotina naquela época consistia em levantar-me cedo, tomar um café da manhã reforçado, ir para a aula e retornar para casa. Nos finais de semana pegava meu Guia, meu caderninho de anotações e meus livros e, com eles em mãos, saia pela cidade visitando os lugares. Meu lugar favorito passou a ser o Hyde Park, onde eu podia me sentar na grama e ler meus livros. Mas visitar os museus públicos também era divertido e eu passava o dia entrando e saindo um do outro. Logo escolhi o meu preferido, o Natural History. Ele era o mais cheio da cidade e o predileto das crianças. Acho que eu me divertia tanto quanto elas visitando a ala dos dinossauros.
Então em uma manhã de primavera, perdida pelos corredores da escola, entrei em uma sala ampla e clara. Era o ateliê de pintura que tinha uma bela vista para o jardim do pátio.
- Sala errada – eu disse para mim mesma.
Eu já estava atravessando o batente da porta quando ouvi uma risada cristalina. Desde pequena, antes de despertar de uma noite de sono, ouvia alguém chamando por um nome. Não era o meu nome que eu carregava nesta vida. Mas um que há muitos anos fora meu. Então, em uma noite quente de verão, quando eu tinha 14 anos, um sonho acalmou minha inquietude.
Usando um vestido rosa de algodão com uma fita salmão envolta na cintura, eu me vi de pé em meio a um campo de trigo. Em um extenso mar de cor areia que se curvava com a passagem do vento. Em suas ondas, um jovem de cabelos marrons e olhos cor de mel me olhava com ternura. E em meio ao som da brisa ele me chamava.
- Anna... Anna...
Durante alguns minutos eu permaneci ali, de pé, sem conseguir seguir adiante. Até que um estudante despertou-me do meu sonho.
- Com licença – ele disse.
- Ah... claro, desculpe – respondi sem graça, saindo o mais rápido que pude da sua frente.
Mas não resistindo à curiosidade virei-me e entrei na sala, colocando-me ao lado da porta.
Foi então que eu o vi. Sentado próximo a uma das janelas do fundo da sala, ele conversava com um grupo de amigos. Vestia uma camiseta azul com as mangas arregaçadas, calça jeans escuro e sapatos esportivos pretos. Mesmo sentado sobre a mesa, eu podia ver que ele era alto.
Eu o havia encontrado. Havia finalmente encontrado aquele com quem eu sonhava há tantos anos.
De repente, como se minha lembrança o tivesse chamado, ele olhou para frente, em minha direção. Os olhos de um azul intenso e profundo contrastavam com seus cabelos escuros e levemente ondulados. Por um momento, apesar de constrangida, fiquei olhando para ele, hipnotizada, analisando cada traço de seu rosto. Então sua expressão, que no início mostrou-se indiferente, tornou-se atenta. E um misto de familiaridade e surpresa passou por seus olhos. Com um movimento rápido, ele se levantou da mesa. Mas antes que eu pudesse acompanhar seus outros movimentos, o soar do sinal me lembrou de que eu estava na sala de aula errada."
Juntos, novamente, após anos de procura, os dois recebem a visita do Anjo Mensageiro, aquele que sempre anuncia quando a hora da separação está próxima. Há um motivo para que eles não permaneçam juntos. Um segredo guardado há 151 anos que Beatrice precisa desvendar para impedir que o Anjo leve Gabriel, pois ele sempre parte primeiro, deixando ela sozinha.
Mas o que Beatrice não imagina é que o segredo é conhecido por pessoas que os acompanham há muitas vidas.
"...Já fazia duas semanas que eu estudava na Academia. Como aluna nova ainda estava me habituando ao ritmo das aulas. Minha rotina naquela época consistia em levantar-me cedo, tomar um café da manhã reforçado, ir para a aula e retornar para casa. Nos finais de semana pegava meu Guia, meu caderninho de anotações e meus livros e, com eles em mãos, saia pela cidade visitando os lugares. Meu lugar favorito passou a ser o Hyde Park, onde eu podia me sentar na grama e ler meus livros. Mas visitar os museus públicos também era divertido e eu passava o dia entrando e saindo um do outro. Logo escolhi o meu preferido, o Natural History. Ele era o mais cheio da cidade e o predileto das crianças. Acho que eu me divertia tanto quanto elas visitando a ala dos dinossauros.
Então em uma manhã de primavera, perdida pelos corredores da escola, entrei em uma sala ampla e clara. Era o ateliê de pintura que tinha uma bela vista para o jardim do pátio.
- Sala errada – eu disse para mim mesma.
Eu já estava atravessando o batente da porta quando ouvi uma risada cristalina. Desde pequena, antes de despertar de uma noite de sono, ouvia alguém chamando por um nome. Não era o meu nome que eu carregava nesta vida. Mas um que há muitos anos fora meu. Então, em uma noite quente de verão, quando eu tinha 14 anos, um sonho acalmou minha inquietude.
Usando um vestido rosa de algodão com uma fita salmão envolta na cintura, eu me vi de pé em meio a um campo de trigo. Em um extenso mar de cor areia que se curvava com a passagem do vento. Em suas ondas, um jovem de cabelos marrons e olhos cor de mel me olhava com ternura. E em meio ao som da brisa ele me chamava.
- Anna... Anna...
Durante alguns minutos eu permaneci ali, de pé, sem conseguir seguir adiante. Até que um estudante despertou-me do meu sonho.
- Com licença – ele disse.
- Ah... claro, desculpe – respondi sem graça, saindo o mais rápido que pude da sua frente.
Mas não resistindo à curiosidade virei-me e entrei na sala, colocando-me ao lado da porta.
Foi então que eu o vi. Sentado próximo a uma das janelas do fundo da sala, ele conversava com um grupo de amigos. Vestia uma camiseta azul com as mangas arregaçadas, calça jeans escuro e sapatos esportivos pretos. Mesmo sentado sobre a mesa, eu podia ver que ele era alto.
Eu o havia encontrado. Havia finalmente encontrado aquele com quem eu sonhava há tantos anos.
De repente, como se minha lembrança o tivesse chamado, ele olhou para frente, em minha direção. Os olhos de um azul intenso e profundo contrastavam com seus cabelos escuros e levemente ondulados. Por um momento, apesar de constrangida, fiquei olhando para ele, hipnotizada, analisando cada traço de seu rosto. Então sua expressão, que no início mostrou-se indiferente, tornou-se atenta. E um misto de familiaridade e surpresa passou por seus olhos. Com um movimento rápido, ele se levantou da mesa. Mas antes que eu pudesse acompanhar seus outros movimentos, o soar do sinal me lembrou de que eu estava na sala de aula errada."
