Véu AzuladoAutora: Viviane França
Beatrice estava arrependida por aceitar o convite. Ansiosa para participar do ritual das Filhas da Lua, ela não agira com lógica. Embrenhara-se pela Floresta apenas com o convite em mãos. No início, o caminho desenhado no mapa pareceu ser simples, mas à medida que se adentrava na mata, notou que a rota traçada pela Guardiã tornava-se cada vez mais confusa. Bem, confusa para ela que conseguia se perder até dentro do vestiário da escola.
Apesar da luz prateada do luar iluminar a Floresta de velhas e altas árvores, caminhar pela rudimentar e estreita trilha com equilíbrio não estava sendo uma tarefa nada fácil. As raízes distorcidas e os galhos emaranhados atrapalhavam a todo o momento sua caminhada.
Por várias vezes Beatrice precisou manter-se parada. Atenta para escutar algum murmúrio, alguma voz que indicasse onde o grupo estava reunido. Mas a região era tão silenciosa que ela não conseguia ouvir nem um piar de coruja ou o zumbido de um inseto. O silêncio reinava por completo naquele estranho lugar.
- Devo ser a única Convocada atrasada. Mas que droga! – reclamou ela para si mesma. E sua voz ecoou pela mata.
Com os olhos fixos no mapa, ela avançou por mais alguns metros. Beatrice estava tão concentrada e tensa para encontrar logo o caminho que não viu quando um vulto saltou em meio da verde folhagem. Mas o que seus olhos não enxergaram, suas narinas sentiram.
Tomando o lugar da fresca e úmida relva, uma suave fragrância de jasmim pairou no ar. Desperta de seus pensamentos Beatrice levantou a cabeça, encontrando a figura de um belo jovem à sua frente. Imponente, ele tinha olhos claros, de um verde suave mais vivo. Os cabelos castanhos, na altura dos ombros, estavam desalinhados, mas combinavam perfeitamente com seu rosto de traços simples. Imóvel, ele a observava com um sorriso nos lábios.
- Beatrice? – perguntou o jovem.
Por várias vezes Beatrice precisou manter-se parada. Atenta para escutar algum murmúrio, alguma voz que indicasse onde o grupo estava reunido. Mas a região era tão silenciosa que ela não conseguia ouvir nem um piar de coruja ou o zumbido de um inseto. O silêncio reinava por completo naquele estranho lugar.
- Devo ser a única Convocada atrasada. Mas que droga! – reclamou ela para si mesma. E sua voz ecoou pela mata.
Com os olhos fixos no mapa, ela avançou por mais alguns metros. Beatrice estava tão concentrada e tensa para encontrar logo o caminho que não viu quando um vulto saltou em meio da verde folhagem. Mas o que seus olhos não enxergaram, suas narinas sentiram.
Tomando o lugar da fresca e úmida relva, uma suave fragrância de jasmim pairou no ar. Desperta de seus pensamentos Beatrice levantou a cabeça, encontrando a figura de um belo jovem à sua frente. Imponente, ele tinha olhos claros, de um verde suave mais vivo. Os cabelos castanhos, na altura dos ombros, estavam desalinhados, mas combinavam perfeitamente com seu rosto de traços simples. Imóvel, ele a observava com um sorriso nos lábios.
- Beatrice? – perguntou o jovem.
- Sim, sou eu – respondeu ela. A voz um pouco mais alta do que um sussurro.
Tomada de pavor, deu então um passo para trás.
- Não esperava vê-la sozinha – comentou ele andando em sua direção. Parecia estar se divertindo. – Onde estão as outras Candidatas?
- Eu... eu não sei...
- Você não sabe? – perguntou ele surpreso. – Como Convocada creio que deveria saber.
- Eu... eu estou perdida - respondeu Beatrice recuando mais um passo. Uma reação involuntária.
Com o olhar malicioso ele seguiu seu movimento.
- Perdida? E ninguém veio procurá-la? – perguntou incrédulo.
O tom de desconfiança na aveludada voz do jovem a deixou mais nervosa. E novamente ela recuou mais passo. Movimento que agora o fez reagir com um rosnado baixo e intenso.
- Não seja tola – disse então o jovem.
- O que você quer de mim?
Surpresa e nervosa, Beatrice ouviu a própria voz ecoar alta pela mata.
- Bem, eu... eu não quero nada – respondeu ele abaixando e levantando os ombros. - São elas quem querem.
- As Filhas da Lua? – perguntou ela, agora intrigada.
- Sim. Foram elas quem a chamaram, não foi?
- Então você as conhece? Elas o Convocaram? Mas... eu pensei que apenas garotas pudessem fazer parte do grupo.
- Mas eu não vim aqui para fazer parte de nada.
- Então por que você está aqui? Está também perdido?
- Não Beatrice, eu não estou perdido – respondeu ele com impaciência. - Você não deveria...
- Não... espere um pouco – o interrompeu ela. - Como você sabe o meu nome?
- Isso não importa... não por ora – respondeu o jovem.
Então seu olhar frio e distante tornou-se brando.
- Beatrice. Você não deveria ter aceitado o convite.
- Eu sei... eu sei... e já estou arrependida – lamentou-se ela. - Mas agora é tarde demais!
- Nunca é tarde demais. Você ainda pode escolher – retrucou ele com seriedade.
- E o que eu direi a elas amanhã? Que esperei por dois semestres para ser convidada e na hora amarelei!
- Amarelei?
- É... você vive em que mundo? Amarelei, fiquei com medo, apavorada, assustada...
- Ah... tudo bem, tudo bem, eu já entendi. Mas isso não tem importância. Não diante do que a espera – disse ele a olhando com intensidade. – Mas fico me questionando. Como você não consegue enxergar algo que está diante de si? Você é mesmo uma presa fácil para caçar.
- Caçar? Mas eu só vim aqui para assistir a um Ritual! Na verdade, eu nem sei por que estou aqui.
Então ele a interrompeu, agora furioso.
- Você nem sabe o motivo da sua Convocação? – perguntou ele, os olhos semicerrados. O polegar e o indicador colocados sobre o nariz.
E por alguns instantes ambos ficaram em silêncio. Então o jovem voltou a falar.
- Eu não deveria ser tão benevolente com você. Sinta-se uma privilegiada – murmurou ele. - Hoje, apenas hoje, eu ficarei do seu lado. Mas não poderei interferir, apenas observar e orientá-la. Seu destino está em suas mãos Beatrice. Você me entendeu?
- Sim... tudo bem... eu entendi – respondeu ela.
- Sei – duvidou ele. – Então é melhor irmos. Siga-me. Eu a levarei até elas – disse o jovem por fim. E Beatrice notou que o olhar dele caiu sobre as finas pulseiras de prata que ela sempre usava em um dos pulsos.
Continua...
O Conto será publicado em quatro partes. De 22 a 25 de maio
Continua...
O Conto será publicado em quatro partes. De 22 a 25 de maio
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