Obras cuja leitura vale a pena

Crônicas Marcianas de Ray Bradbury
 
A obra de Ray Bradbury lança a ideia de que Marte pode ser ocupado pela raça humana. Mas mesmo mudando de planeta o ser humano é capaz de mudar seus costumes, pensamentos e atitudes?

Quando o Capitão William pousa com sua nave e tripulação no solo de Marte, ele espera desbravar uma nova terra. Mas o que ele encontra é um planeta com cidades abandonadas, mares mortos e marcianos que usam a telepatia para se comunicarem.

Com seu texto crítico e bem-humorado, Bradbury analisa o comportamento da raça humana frente à outra raça. Apesar dos marcianos ainda não serem uma raça extinta, os homens que chegam ao planeta caminham por suas terras como se elas já pertencessem a eles. Afinal, eles viajaram noventa e seis milhões de quilômetros para chegarem a Marte!

Quando o planeta começa a ser invadido aos poucos, fica claro como o homem impõem aos seus habitantes seus valores culturais. Ele enxerga as terras vermelhas de Marte como sendo suas para viver e explorar. O leitor pode sentir isso em vários momentos da história, quando lê, por exemplo, os diálogos entre um pai e filho. “(...) - Escolha uma cidade, meu filho. Qualquer uma daquelas pelas quais iremos passar ... – Quero uma cidade com marcianos – disse Michael. – Você a terá – falou o pai. – Prometo.”

Ray Bradbury escreveu ‘Crônicas Marcianas’ em 1950. Hoje, estamos no ano de 2013 e observamos que o homem continua com a mesma visão: a de que todos os planetas do universo foram criados para serem colonizados e explorados por ele. Na história, como os astronautas não foram recepcionados como esperavam, ficaram decepcionados. “(...) – Talvez fosse melhor irmos embora e depois voltarmos – disse um dos homens, em tom sombrio. - Talvez devêssemos levantar voo, pousar novamente e dar-lhes tempo para organizar a recepção.” Passaram-se sessenta e três anos desde a publicação da obra, mas os dilemas e a arrogância do ser humano continuam as mesmas.